Princípios – De volta à(s) Base(s)

Antes de iniciar este artigo, indaguei qual é a definição de “Princípio” e estas foram as várias versões que descobri:

Como Substantivo: “O princípio enquanto lei moral é um valor que orienta um sujeito a adoptar determinado comportamento de acordo com aquilo que lhe diz a sua consciência”; “O Começo”.

Versão Filosófica: “Essência própria a cada indivíduo; o singular, o concreto, determinado no tempo e no espaço”.

Versão Lógica: “Proposição imprescindível para que um raciocínio seja fundamentado”.

Estas definições permitiram-me logo fazer uma reflexão interior. Se o Princípio é o começo de tudo e um elemento orientador de um comportamento do indivíduo com aquilo que lhe diz a sua consciência, as questões que me surgem de imediato, são:

– Saberá cada um de nós, que valores orientam os nossos comportamentos individuais, e, por consequência quais os seus reflexos no colectivo, na sociedade?

– Que valores são esses que nos são partilhados em tenra idade pelos nossos pais, família, grupos sociais?

– Mais importante ainda – sabendo que hoje em dia o inconsciente é bem mais extenso do que consciente -, que valores na idade adulta nos orientam que podem ser mais inconscientes do que conscientes?

A versão Filosófica vem “destabilizar” ainda mais, trazendo a dimensão da individualidade e da natureza própria de um ser humano na forma como lida com algo num determinado contexto. A versão Lógica normaliza e põe em “pratos limpos” o que a versão Substantiva e Filosófica possa trazer para cima da mesa. A posição é simples e indica que: se não há princípio, não há raciocínio. Tendo em conta este pressuposto, a questão que coloco é afinal que princípios é que governam o raciocínio por detrás de guerras, genocídios, racismo, discriminação, bullying, fogos postos, exploração ambiental e sexual, etc.?

Estamos a ser governados ao longo de toda a nossa História por princípios que nos levam a raciocínios prejudiciais e que estão simplesmente a destruir a Humanidade. Temos consciência disto?

As tais leis morais que orientam os nossos comportamentos vêm obviamente do passado e é fundamental reconhecermos o que Carl Jung denominou por “inconsciente colectivo” – em que defendia que os seres humanos estão conectados uns aos outros e aos seus ancestrais por um conjunto compartilhado de experiências. Usamos esta consciência colectiva para dar sentido ao mundo, por isso se (todos!) olharmos para o passado, iremos ver um campo fértil de ideias pré-concebidas e padrões muito prejudiciais.

O autoconhecimento é uma ferramenta crucial para tornar consciente o que é inconsciente, e começarmos aos poucos a reconhecer estes princípios por detrás dos nossos raciocínios. Permite-nos contactar com a nossa individualidade, conectando-a com valores e princípios mais positivos para que possamos desconstruir as crenças que nos fazem caminhar para o nosso lado mais sombrio com maior regularidade – fenómeno que é amplamente abordado no livro “O Efeito Sombra” de Deepak Chopra MD (official), Debbie Ford e Marianne Williamson. Todos temos essa “sombra”, que se a reconhecermos como parte de nós, viveremos muito melhor connosco próprios. Eu sei que este lado coexiste e fará sempre parte do meu Eu, mas respeito-o e aceito para que não limite ou prejudique a minha essência e o que me define como ser humano.

Assim, o que eu sugiro é que voltemos ao “começo” e que possamos definir em conjunto quais os princípios que queremos que nos norteiem do ponto de vista colectivo, seja dentro de uma organização, família, grupo de amigos ou enquanto Humanidade. E para tal, precisamos de ter vontade individual para haver primeiro uma introspeção e depois uma co-criação colectiva.

No próximo artigo irei abordar uma série de princípios que considero fundamentais para a criação de uma nova consciência colectiva, que deveríamos todos ambicionar que seja a das próximas gerações!

O importante é começar se possível amanhã, hoje…pelo princípio! ????

Pablo

Pablo

cargo do autor

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