Bem-vinda “Nova cultura humilde do Erro”

Platão foi um célebre filósofo e matemático do período clássico da Grécia Antiga tendo sido fundador da Academia de Atenas, considerada a primeira instituição de educação superior do mundo ocidental.

A Academia é criada fruto da sua peregrinação de doze anos pós-execução de Sócrates (seu mestre) em que ele considera que a acção do Estado foi imoral e uma demonstração de um sistema defeituoso. Na sua Academia, o conhecimento é considerado como vivo e dinâmico, ou seja, nunca considerado verdade definitiva ou sagrada, mas sim, passível de discussão, de estar ultrapassado ou até mesmo errado.

O erro faria assim parte da aprendizagem e da evolução; o perdão, parte do processo da evolução do Homem ou da alma para quem em tal acredita.

A sua célebre frase “Errar é humano, mas também é humano perdoar. Perdoar é próprio de almas generosas”, nunca fez tanto sentido – 2500 anos depois. Já fazia antes, mas no meio do nosso individualismo e corrida desenfreada pelo dia de amanhã, simplesmente esquecemos – ou menos interessante ainda -, algo que não faz parte de (alguns) nós.

Para não vos confundir e pensarem que considero que tudo é perdoável, importante é no nosso dia-a-dia distinguirmos o “erro” da “negligência”. A “negligência” é um alerta vermelho ou até um pressuposto definitivo para o mais negativo de qualquer relação, seja ela profissional, pessoal ou amorosa. Se há volta a dar ou não, fica ao critério de cada um.

O “erro” é necessário, em que a atitude perante ele é o desafio que nos irá diferenciar.

Na loucura diária do capitalismo, o erro é uma perda de tempo, é intolerável, é um nó na garganta, desgasta relações diminuindo a moral de quem o faz e em simultâneo, aumenta o poder psicológico de quem lidera sobre o errante. Torna assim, as relações preservas e cínicas.

“Incompetente”, “incapaz”, “inexperiente” são características que atribuímos a quem erra, que aliás surgem até nas definições de termos literários da própria palavra “erro”. Agora, façamos o seguinte exercício: levante a mão quem nunca o foi, ou não se sentiu um destes três adjectivos em vários momentos da sua vida (a minha ficou em baixo e não é só por estar a escrever este artigo).

Se olharmos para os percursos dos maiores empreendedores a nível nacional e mundial, todos eles passaram por momentos negativos, cometeram erros, aprenderam e voltaram mais fortes.

Daí que, dos pontos mais positivos que encontro nesta crise é verificar como “a alta esfera” da nossa sociedade (políticos, cientistas, jornalistas, especialistas) têm errado de forma constante e consistente, na sua maioria a assumir e admitir rapidamente o erro. Atenção, quem nem todos, naturalmente! Mas daí, também se separam os verdadeiros líderes do presente e futuro, dos gestores orgulhosamente perfeitos na sua imperfeição.

E nas vossas empresas, como estão os vossos líderes a gerir os seus erros e os vossos?

Como colaborador, como lidam com o vosso erro e com o erro do vosso líder?

Finalmente, há uma mensagem constante de que todos os dias aparecem desafios novos com este vírus, por isso é normal que não estejamos prontos, tenhamos interpretações diferentes, ajuizemos mal, e consequentemente novos erros sejam cometidos.

A questão que deixo é: Isto não fez, faz e fará parte da nossa vida? Ou pensamos que conseguimos controlar e prever o futuro?

Humildade, Solidariedade e Perdão que venham para ficar e que não sejam um simples preâmbulo da nossa vida.

Pablo

Pablo

cargo do autor

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