Princípios – O (Re)Começo

“Os princípios importantes podem e devem ser inflexíveis” – Abraham Lincoln.

“Mude as suas opiniões, mantenha os seus princípios. Troque as suas folhas, mantenha as suas raízes” – Victor Hugo.

A inflexibilidade nos princípios que nos moldam só fazem sentido se tiverem em consideração duas premissas: Justiça e Humanidade. No entanto, a nossa evolução permite-nos ser mutáveis e mais sábios perante a nossa congruência com os princípios que abraçamos até porque a nossa sombra, o nosso lado negativo, está sempre presente. Nos vários desafios e obstáculos da nossa vida seremos sempre testados, a realidade nefasta e imprevisível desafia e irá sempre desafiar a sustentabilidade das nossas raízes – os nossos princípios.

Considero que existem princípios fundamentais para uma melhor experiência colectiva, que se irão reflectir em atitudes/comportamentos individuais e colectivos positivos que por consequência perpetuam/promovem o nosso bem-estar, das nossas relações e do(s) sistemas em que estamos integrado(s) – familiar, organizacional, político, ensino e religioso, etc…

Passo a partilhar os princípios essenciais e a sua composição/definição:

1. Segurança Psicológica – Um clima caracterizado pela confiança interpessoal e respeito mútuo em que as pessoas se sentem confortáveis para serem elas mesmas. Este princípio dá espaço para se assumir riscos e admitir erros, para que ninguém seja visto como ignorante, incompetente, negativista ou sentir-se como tal. Potencia o questionamento e o à-vontade para se ter dúvidas, e em simultâneo abre espaço a novas ideias e à inovação;

2. Diversidade – A variedade e pluralidade de modos de vida deve ter em conta os pensamentos, costumes, tradições e formas de expressão. A aceitação da diferença inclui as componentes cultural, biológica, étnica, linguística, religiosa, etária, entre outras. A diferença num contexto de segurança psicológica irá sempre potenciar o desenvolvimento mútuo pela riqueza que traz per si;

3. Propósito (colectivo) – É uma intenção de fazer ou deixar de fazer algo; um objectivo que nos leva a fazer uma determinada jornada (conjunta). Explorando um contexto extremamente macro como o nosso país, qual é o nosso propósito? Os nossos governantes políticos sabem-no? E a nível mais micro, sabes qual é o propósito da empresa onde estás? Sabes o teu individual?

Quando é colectivo, é crucial termos um propósito que respeite a diversidade que existe em cada um de nós, alicerçado no respeito pela condição humana;

4. Inteligência Colectiva – É um tipo de inteligência compartilhada que surge na colaboração de muitos indivíduos respeitando as suas diversidades. É uma inteligência que existe distribuída por toda a parte, na qual todo o conhecimento está na Humanidade, “distribuído” por todos nós. Aqui, valoriza-se as parcerias e a interligação que existe entre todos, potenciando um processo de crescimento colectivo. Imaginem se tal tivesse acontecido na pandemia com a colaboração entre todos os países – certamente teríamos tido menos confusão e desinformação, com decisões menos dispares a serem tomadas em cada país individualmente, bem como uma melhor e maior capacidade de resposta.

5. Transparência – Pode traduzir-se na qualidade do que não é ambíguo, clareza, limpidez, promovendo contextos em que podemos ser honestos, estar mais expostos e vulneráveis ao outro num ambiente de Segurança Psicológica. Aqui, promovemos a confiança, lealdade, motivação, compromisso e crescimento mútuo;

6. Responsabilidade e Compromisso – Como no nosso idioma não temos tradução directa para “accountability” uso as palavras combinadas que significam “a obrigação de responder por actos próprios ou alheios”, à qual se junta, o compromisso em que a pessoa honra a palavra que deu (responsabilidade) e assume-a realmente como sua, ao invés de lhe ser dada a responsabilidade sem realmente ser aceite por si. Tipicamente o que fazemos é responsabilizar o Outro mas ninguém o aceita de bom grado, e, se correr mal ele culpabiliza-te. O Segredo é darmos o espaço para que exista o compromisso da outra pessoa perante algo por vontade própria, neste caso se não for terminado só a si recai a responsabilidade;

7. Autenticidade – Consiste na certeza absoluta da veracidade ou originalidade de algo. É a garantia que o que se diz, é o que se é na realidade. O que ganhas se fores verdadeiro? O que perdes quando não o és? Podemos fazer estas perguntas para o nosso próprio desenvolvimento/crescimento pessoal e não para o(s) outro(s) e/ou para a sociedade sobre o que esperam de nós;

8. Sustentabilidade – Mais do que um conceito, falamos de um princípio fundamental que é formado por um conjunto de ideais, estratégias e demais atitudes ecologicamente correctas, economicamente viáveis, socialmente justas e culturalmente diversas. É a capacidade de cumprir com as necessidades actuais sem comprometer o futuro. Aqui, o equilíbrio entre vida pessoal/profissional ganha também cada vez mais tração e o necessário respeito;

9. Auto-liderança – Conceito que defende a capacidade de qualquer pessoa exercer uma influência intencionada e consciente sobre os seus próprios pensamentos e emoções, com o pressuposto de alcançar os objectivos pessoais que a definem. Tal implica uma jornada de consciência e autoconhecimento individual, e após esse processo, conseguir colocar em prática esse (re)conhecimento do seu verdadeiro Eu no dia-a-dia;

10. Erro e Aprendizagem – Este princípio parece estranho, mas é crucial. É importante deixarmos de conotar o erro como algo negativo – o que está imperfeito ou mal feito – e a desconfiança que se levanta sobre quem erra. A falta de espaço para as pessoas errarem, compromete vários dos princípios anteriores começando por um dos mais essenciais – a Segurança Psicológica.

As perguntas que podemos colocar são: Quem é perfeito ou o que significa “fazer de forma perfeita”?  O nosso propósito na vida é fazermos sempre tudo bem, sem falhas? Muito provavelmente a resposta será negativa, pois pelo contrário, devemos ambicionar que a nossa jornada seja sempre de máxima aprendizagem e melhoria contínua.

11. Optimização do Todo – Busca pela excelência, para obter o melhor de algo. A busca é limitada se deixarmos alguém de parte, ninguém pode ser discriminado ou desconsiderado no processo seja em que sistema for (organização, grupo social, família, etc). A consideração de todos potencia a Inteligência Colectiva e aceitação da diversidade de cada um, e por consequência, existirá um contínuo crescimento/desenvolvimento do próprio sistema.

Em suma, são onze os princípios que tento aplicar na minha vida e convido-vos a pensar sobre eles, pois apesar de serem alguns, se analisarmos com atenção, a sua interligação é clara. Como em tudo, o mais desafiante é conseguirmos colocá-los em prática – no próximo artigo irei explorar as atitudes e comportamentos que se coadunam com estes princípios (que considero!) essenciais para o nosso desenvolvimento pessoal e colectivo almejando o nosso bem-estar e felicidade.

Pablo

Pablo

cargo do autor

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