Autossabotagem – És o teu maior inimigo!

A minha experiência como terapeuta holístico e como consciente sabotador em vários aspectos da minha vida, têm-me mostrado que os maiores desafios estão intimamente ligados à nossa capacidade indomável para nos sabotarmos e que na maioria das vezes de forma totalmente inconsciente.

O que representa a Sabotagem? As seguintes definições ajudam a compreender a sua essência:

– Prejudicar de forma oculta e insidiosa, minar;

– Dificultar ou prejudicar uma atividade por meio de resistência passiva;

– Agir de forma astuta contra (alguém ou algo);

Quando olho para o Mundo actual e interpreto os nossos desafios enquanto civilização, parece-me existir claramente uma tendência muito humana de externalizar quando algo de mal nos acontece, em que facilmente usamos o Outro para lançar culpas, apontar dedos e reagir negativamente. Como se esse Outro estivesse intencionalmente concebido para nos prejudicar, magoar, minimizar e humilhar. A vitimização é a nossa escolha mais clara e fácil de abraçar perante um contexto negativo, a perspectiva da sabotagem potenciada pelo outro permite-nos desresponsabilizar sobre o que nos acontece e de criarmos justificações que são alimentadas em simultâneo pelo nosso Ego e por uma sociedade individualista que se alimenta dos mesmos egos.

Este sentimento de impunidade perante a realidade que vivemos distancia-nos do nosso Eu e por consequência dos Outros, apesar de numa primeira instância podermos ser vistos como Vítimas – tal é a ilusão percepcionada no médio/longo prazo. Na realidade, estamos a fugir de forma (sobretudo!) inconsciente da nossa verdadeira essência, tirando o peso da responsabilidade perante o que nos acontece.

Quando criamos este subterfúgio, na verdade a sabotagem vem de dentro. O nosso Eu é o único a criar um verdadeiro impacto negativo nas nossas ações, palavras, pensamentos e sentimentos.  Tudo o que atraímos para a nossa vida, está em nós, por mais difícil que isso seja de compreender e aceitar numa primeira fase – principalmente quando nos apercebemos que estamos a atrair ações, palavras, pensamentos e sentimentos que podem ser extremamente impactantes e ter um efeito negativo e até prejudicial em nós. Sentimo-nos injustiçados por aquilo que à primeira vista não nos faz qualquer sentido nem achamos que merecemos.

Tal acontece, quando accionamos o “botão” da autossabotagem, em que para além da vitimização existem diversas atitudes e variados comportamentos e pensamentos que prejudicam a tua/nossa evolução. Para percebermos melhor se temos usado este “botão” nos últimos tempos, deixo algumas perguntas para reflexão:

– Comparas e medes o teu sucesso com o dos outros?

– Assumes que és impotente em toda e qualquer circunstância?

– Projetas negativamente o que as pessoas pensam sobre ti?

– És excessivamente crítico sobre ti próprio e os outros?

– Culpas-te de forma contínua por cada erro que cometes?

– Ignoras as tuas necessidades pessoais?

– Mentalizas os piores cenários?

– Trais o outro por medo de te envolver em demasia e sofreres à posteriori?

– Ocultas ou mentes por medo da consequência de dizeres a verdade?

Quando criamos as realidades acima, a consequência é um reforço desse estado de espírito, em que a vida irá agir de forma astuta “contra” ti, num processo que se intensifica com o tempo – se te consideras uma vítima da sociedade atrairás pessoas que te farão sentir ainda mais ostracizado; quando te comparas e medes o teu sucesso perante os outros, crias limitações ao teu desenvolvimento pois a tua abundância está dentro de ti e não fora; quando assumes a tua impotência perante algo, isso torna-se crónico, perpetuando escassez; quando és muito crítico com os outros, afastas as pessoas de ti e ficas isolado no teu massacre pessoal; se te culpas, fragilizas a tua autoestima e confiança, a dúvida cresce em ti e são sentidas e aproveitadas pelos outros; se neste processo ignoras as tuas necessidades, acabas invariavelmente por ter consequências físicas; se ocultas e mentes, irás sempre desconfiar dos outros e por consequência, atrais pessoas que o fazem a ti.

As premissas acima identificam os 6 tipos de autossabotagem mais prementes em nós:

– Vitimização: meios de justificar o sofrimento, com o objetivo de obter gratificações em troca;

– Negação: das suas próprias necessidades e desejos, afim de evitar a experimentação do fracasso;

– Culpabilidade: evitar enfrentar os julgamentos alheios, entrando num ciclo punitivo e de autocobrança desnecessário;

– Procrastinação: protelar tarefas para mais tarde, funcionando como um mecanismo de defesa diante da sua sensação de incapacidade;

– Inconstância: hábito de não concluir o que se iniciou, para que dessa forma se possa proteger não só do fracasso, mas também das consequências do sucesso;

– Medo: sentir medo é comum e natural, mas ele torna-se uma autossabotagem quando é excessivo e paralisante.

No próximo artigo irei explorar de que forma podemos contrariar a autossabotagem, desbloquear e inverter os processos identificados acima.

O objectivo será derrotar de forma consistente o teu pior e maior Inimigo – que és tu.

Pablo

Pablo

cargo do autor

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